A Desconhecida
Ainda agora não sei se foi um sonho ou se de
fato aconteceu. Em certos momentos, a memória me engana, a lógica me escapa e
racionalidade é apenas um vago navio perdido no mar. A memória fabrica seus
detalhes, produz sua realidade, arma uma cilada que me deixa sempre sem
entender o que de fato é a realidade. Tentei explicar isso a um amigo, mas ele
me mandou ir ao psiquiatra; disse à ele que os psiquiatras não entendem nada,
brigamos e ele foi para minha casa e eu para dele... ou será que eu fui para
minha e ele para dele? Isso está me deixando confuso...
Acordo no meio da noite. A casa está escura,
como de costume. Pela janela entram pequenos fragmentos de luz vindos da lua. Uma
luz frágil, pálida. Estou no meu quarto, deitado. Isso a consciência vai
percebendo pouco a pouco. Estou frente a frente com uma mulher. É estranho
porque a conheço, porém, ao mesmo tempo, a desconheço. Ela sorrir para mim e eu
respondo o seu sorriso com outro sorriso, meio bobo, com o canto da boca. Ela é
branca. Sua pele é lisa, macia, delicada. Sei porque estou acariciando sua
cintura. Estamos nus. Ela acaricia meu rosto e sorrir emocionado. Percebo que
de seus olhos caem, timidamente, duas lágrimas. Ela não fala, mas eu sinto que
o impacto mudo de suas palavras sobre mim. Eu me comovo e me pergunto como
podemos ter nos separado, vivido tanto tempo longe um do outro! Dou-lhe um
beijo nos lábios (um beijo delicado, apenas tocando os lábios dela, mas
demorando para retirar os meus). Nesse beijo eu comunico algo. Não sei o que
digo, pois não saem palavras dos meus lábios, apenas o leve estalar do beijo. Ela
entende, contudo, e chora. Eu choro. É tudo solene como uma despedida. E talvez
seja de fato uma despedida... Eu não quero deixa-la ir. O coração pesa no
peito. Eu não quero chorar. Num outro ato de mudez, digo que vai ficar tudo
bem. Ela sabe que minto, mas acredita porque a mentira é tão real e delicada
que é impossível discordar.
O garçom me pergunta se eu quero mais um chopp.
Onde estou, me pergunto. Vou me localizando, aos poucos – estou num bar. A quanto
tempo estou aqui? Aceito o outro chopp, mas antes do garçom se afastar, peço um
copo de conhaque. A intenção era puxar conversa para saber como eu fui parar
ali. Quando ele retorna, fico desconfortável e só peço o conhaque. Esse é mais
um mistério em meio a esses tantos mistérios. Bebo o chopp de uma só vez. Não o
chopp, o conhaque. Ouço um “devagar meu chefe”. Olho para trás e vejo um homem
sorrindo. Eu aceno por cordialidade, mas não o conheço. Para ser sincero, não
reconheço ninguém no bar, nem o garçom. Mas tanto o garçom quanto o homem são
familiares. Baixo a cabeça e penso na Desconhecida...
Aliso suas nádegas. Ela sorri. Eu a beijo. Tudo
vai ficar bem. Eu subo em cima dela. Ela sorrir, eu sorrio. Ela me beija. Toca uma
música suave ao fundo. É a nossa música, ela diz. Mas como sempre, não sai
nenhum som dos seus lábios, mas eu entendo. Meus lábios começam a explorar seu
corpo lentamente. Começo pelo pescoço, dando pequenas mordidas. Ela contorce os
pés. Quando chego aos seus seios me demoro. Beijo-os, chupo eles: são brancos,
macios, como o restante do seu corpo; porém, são quentes. Continuo explorando
até chegar no seu sexo. Ela tenta me afastar. Percebo que é um ato involuntário.
Continuo. Faço sexo oral nela. Ela se contorce, geme. Seu gosto é azedo. Eu me
demoro fazendo sexo oral. Fazemos amor. Gozamos.
Felipe Catão


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