Um homem chamado Francisco



“Já crucificado com Cristo, tanto na carne, quanto no espirito, Francisco não apenas ardia com amor seráfico para Deus como também com Cristo crucificado tinha multidão dos que serão salvos. Assim, fazia carregar seu corpo desfalecido pelas cidades e castelos, de vez que não podia andar por causa dos cravos, saindo dos pés, afim de animar os outros a carregar a cruz de Cristo. Dizia também para os frades: ‘Comecemos, Irmãos, a servir ao Senhor, nosso Deus, pois até agora fizemos pouca coisa’. Desejava, com grande anseio, voltar aos primórdios da humildade para servir os leprosos, como de início, e para reconduzir o corpo, já extenuado pelo trabalho, à antiga escravidão. Sob a orientação de Cristo, propunha-se fazer coisas extraordinárias e, com os membros fatigados, mas de espirito forte e fervoroso, esperava triunfar do inimigo em nova batalha. Pois não lugar nem para abatimento nem para desídia onde o estímulo do amor urge para obras sempre maiores. Havia nele, porém, tanta harmonia da carne com o espirito, tanta prontidão para obedecer, que, ao empenhar-se em atingir a santidade, a carne não apenas não se opunha como tentava antecipar-se”.
(1B 14, 1)

Este relato, feito por São Boaventura em sua legenda maior, retrata o profundo sentimento de humildade e humanidade de São Francisco de Assis. Mesmo doente, estigmatizado, segundo as Fontes, padecendo de dores horríveis que mal o permitiam se mover, ele desejava ardentemente continuar servindo os mais fracos, os doentes e leprosos, física e espiritualmente. São Francisco se dá conta de sua vocação, quando ele se encontra com um leproso no meio do caminho. Vencendo a si mesmo, toda a repugnância que os leprosos causavam antes desse encontro, ele o beija, transformando o que antes era amargo em doçura. São Francisco faz de sua vida um constante serviço, por amor e dedicação a Cristo, expresso nos mais pobres entre os pobres, no irmão leproso, naqueles que foram excluídos do convívio social da época. Não quer nada para si: não quer dinheiro, não quer fama, apenas a pobreza absoluta, sua Senhora; e quando encontra alguém mais pobre, usando roupas mais vis que a sua roupa mais vil, troca de roupa com ele. Mesmo quando é obrigado a fundar uma ordem, a funda pela necessidade que o momento exige, não pelo desejo de deixar uma herança. Evangelizou a humanidade a medida que humanizou o Evangelho; ensinou ao ser humano o cuidado que ele deve ter com a natureza, que os recurso naturais foram criado para que o homem os mantivesse e os cuidasse como se cuida de um irmão, e não os explorasse – por isso, se referia tudo e a todos como se fossem seus irmãos. Ele procurou criar uma verdadeira democracia cósmica e uma fraternidade universal. E ensinou que não existe o ladrão, o rico, o pobre, o cristão, o mulçumano, o judeu, mas apenas o irmão. Nas suas regras, deixou claro que a seus irmãos que anunciar o Evangelho tem mais a ver com praticar o que Jesus ensinou, do que decorar textos sagrados: do Evangelho à vida, da vida ao Evangelho, ensinou. E este é o grande exemplo que ele nos deixa como herança: a caridade incondicional, a suprema fraternidade, o serviço para com os mais pobres, a alegria, a jovialidade, a cordialidade, a negação de si em detrimento do próximo (o irmão menor). Essas são qualidades e práticas que alguém que se define como franciscano deve imitar, deve nutrir e cultivar. Mais que discursos, práticas que conduzam ao verdadeiro amor! PAZ E BEM!

(Felipe Catão)

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