Jesus e o autoconhecimento
"Por que olhas para o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu? Como podes: 'Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho', quando não vê a trave que em teu próprio olho? Hipócrita tira primeiro a trave de teu olho, e então verás bem para tirar o cisco no olho de teu irmão".
(Lc 6, 41-43)
Todo homem sem autoconhecimento enxerga facilmente os pequenos erros de seus semelhantes, mas não enxerga os seus próprios. Para os pequenos erros dos outros, o egoísta usa uma lente de aumento; porém, quando se trata dos seus próprios erros, ele inverte a lente, deixando os erros ainda menores, quase imperceptíveis. Tudo isso é consequência da falta de autoconhecimento.
Que procura conhecer a si mesmo, sabe das suas limitações, reconhece os seus erros. Percebe com atenção até seus menores deslizes e presta pouco atenção às faltas do próximo. E caso perceba, não é para julgar e discriminar, mas para ajudá-lo a corrigi-lo. Quem busca conhecer a si mesmo, não procura mudar o outro, mas busca mudar a si mesmo porque sabe que não se pode mudar ninguém - as pessoas mudam a si mesmas. O que se pode fazer, ao invés de exigir que a pessoa seja boa, é fazer-lhe o bem e criar para seu próximo um ambiente tão favorável que ele próprio decida-se pelo bem e a ser bom. Essa atitude de bondade em relação ao próximo, não pode ser esporádica, mas constante. Para isso, é necessário que o ser humano procure mudar a si mesmo.
Infelizmente, as pessoas não são educadas para o autoconhecimento. As pessoas acabam não se tornando responsáveis pela sua própria vida e, por isso, vivem monitorando a vida alheia. O desconforto com o que se julga errado na vida do outro é, na verdade, uma deficiência com relação a nossa própria vida. As pessoas não se conhecem e por isso não conseguem cultivar o amor, a caridade, o espirito de coletividade e cuidado com vida no mundo. Essa deficiência acaba cultivando o desrespeito, o ódio, a intolerância, o individualismo - sentimentos negativos, dos quais nossa sociedade está cheia.
Jesus nos convida a buscar esse autoconhecimento, a cultivar o espirito de bondade, a desenvolver nossas potencialidades e fazer do amor uma prática, não uma regra. Quem cultiva a própria espiritualidade, não tem tempo para julgar a vida alheia, procurando erros microscópicos afim de condená-lo. Ao contrário, mantém uma constante serenidade e prática do amor, que todos se sentem convidados a participar de sua vida e a cultivar sua própria espiritualidade! Amém!
(Felipe Catão)


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